Fauna e Flora
Variedade e Exuberância
O ecossistema do Pará apresenta a biodiversidade característica da região amazônica, onde já foram catalogados mais de duas mil espécies de peixes, cerca de 950 espécies de pássaros, 300 espécies de mamíferos e cerca de 10% de todas as espécies de plantas existentes na Terra. No território paraense, essa variedade de espécies animais e vegetais é imensa, devido principalmente às condições climáticas (localização na zona equatorial) e ao tamanho da área coberta por florestas. Entre as árvores consideradas como madeira nobre, por isso mesmo derrubadas muitas vezes de forma indiscriminada, estão o Angelim, o Cedro e o Mogno. No setor extrativo, as espécies mais procuradas são a seringueira e a Castanheira-do-Pará. A flora também apresenta espécies exóticas, como a vitória-régia e dezenas de espécies de bromélias. Nas últimas décadas, a preocupação com o futuro do ecossistema amazônico – aí incluído o paraense – vem sendo manifestada dentro e fora do Brasil, por instituições governamentais e não governamentais. Vários fatores contribuem para a destruição da flora e o processo acelerado de extinção de animais em território paraense. Entre esses fatores, destacam-se a exploração seletiva de madeira (que acaba com reservas naturais de madeiras nobres), a agropecuária extensiva (responsável pela derrubada da mata para transformação em pasto), a construção de usinas hidrelétricas (que altera o ecossistema dos rios e áreas próximas), a caça indiscriminada visando a retirada do couro para comercialização, a pesca predatória e o extrativismo de plantas destinadas à indústria farmacêutica. Em algumas áreas, animais, como a queixada, o peixe-boi, o pirarucu, as tartarugas e os mutuns já foram bastante reduzidos.
Áreas de Preservação
Desde a década de 70, o governo federal vem criando na Amazônia reservas naturais, para preservação da fauna e da vegetação. Segundo o Plano de Sistemas de Unidades de Conservação do Brasil e a Lei nº.6.092, de 27 de abril de 1981, são as seguintes as formas de manejo do ecossistema:
Parque Nacional – é uma área extensa com um ou mais ecossistemas inalterados pela ação do homem. A fauan, a flora, os sítios geomorfológicos e os habitats têm interesse científico, educativo e recreativo. Possuem ainda belas paisagens naturais.
Reserva Biológica – serve como banco genético, devido às características especiais de fauna e flora. A influência do homem é controlada, já que a visitação pública é proibida.
Estação Ecológica – tem por objetivo proteger amostras de ecossistemas distintos, para subsidiar a pesquisa comparativa entre áreas preservadas e áreas ocupadas.
Floresta Nacional – destina-se à produção comercial de madeira e outras espécies da flora, à conservação da fauna silvestre e à proteção das bacias hidrográficas.
No Pará são encontrados o Parque Nacional da Amazônia, a Reserva Biológica do Rio Trombetas, a Estação Ecológica do Jarí, e as Florestas Nacionais do Tapajós e de Caxiuanã.
O Parque Nacional da Amazônia, localizado às margens do Rio Tapajós, abrange os municípios de Itaituba (no Pará) e Maués (no Amazonas). Criado em 1974, tem 993.950 hectares. A cobertura vegetal, predominante é a Floresta Ombrófila Densa, com árvores de vários tamanhos, destacando-se a Castanheira-do-Pará e a Seringueira. A fauna é representada pela ariranha (Pteronura brasiliensis), o peixe-boi (Trichechus inungis), o tatu-canastra (Priodontes giganteus), o tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla) e o gavião real (Harpia harpyja). A visitação precisa de autorização do Ibama.
A Reserva Biológica do Rio Trombetas foi criada em 1979, no município de Oriximiná, com 385 mil hectares. Abriga a maior concentração de quelônios de água doce do país, principalmente a tartaruga-da-amazônia. Ao longo do rio, os bancos de areia chamados de "tabuleiros" servem de ponto de desova para os quelônios. A área é dominada pela Floresta Ombrófila Densa, mas com formações vegetais de influência fluvial. Com uma fauna diversificada, é habitat natural de antas, capivaras, cutias, macacos-de-cheiro, onças, pacas, porco-do-mato, ariranhas e tamanduás-bandeiras. Visitação permitida pelo Ibama.
A Estação Ecológica do Jarí ocupa 227.126 hectares do município de Almeirim, entre os rios Jarí e Paru. Na cobertura vegetal predomina a Floresta Ombrófila Densa.
A Floresta Nacional do Tapajós tem mais de 600 mil hectares, distribuídos entre os municípios de Santarém, Aveiro e Rurópolis. Criada em 1974, predomina em sua área a Floresta Ombrófila Densa, com essências nativas de valor comercial, como o babaçu e várias espécies de animais silvestres (cutias, onças e macacos).
A Floresta Nacional de Caxiuanã, com mais de 300 mil hectares, está localizada à margem esquerda da Baía de Caxiuanã, nos municípios de Portel e Melgaço. Sua cobertura vegetal é formada principalmente pela Floresta Densa. Controlada pelo Ibama e Museu Paraense Emílio Goeldi, visa preservar os animais e as espécies vegetais da região. A visitação é permitida pelo Museu.
O Pará tem ainda a Estação Biológica Nacional do Tapirapé, com 103 mil ha., nos municípios de Marabá e São Félix do Xingu; a Floresta Nacional de Gorotire, com 1.843 mil ha., em São Félix do Xingu e Ourilândia do Norte; a Floresta Nacional de Mundurucânia, com 1.377 mil ha., em Itaituba; e a Floresta Nacional de Tumucumaque, com 1.793 mil ha., nos municípios de Alenquer, Almeirim e Óbidos. |