O artesanato ameríndio é uma das mais belas e significativas expressões da Arte Popular do Pará, considerando o emprego das técnicas mais primitivas, o uso exclusivo de matéria-prima bruta, a ausência de qualquer instrumental industrializado para a confecção dos trabalhos, é impressionante o resultado artístico que o artesão indígena alcança.
Embora o artesanato indígena seja um dos mais procurados e vendidos na Exposição-Feira do Artesanato do Pará, a obtenção de uma produção sistemática de peças é prejudicada, em virtude de se necessitar de intermediários para manter um intercâmbio comercial com os indígenas.
Atualmente a Exposição-Feira recebe somente material artesanal de duas tribos: Apalaí e Mundurukú.
Os Apalaí, também denominados de Aparai, são do grupo Karib e da área cultural Norte- Amazônica; localizam-se nas cabeceiras do rio Paru, próximo à fronteira com a Guiana Francesa.
O artesanato dos Apalaí é representado pela cerâmica, cestaria, tecelagem de redes empregando as fibras de tucum e algodão, arcos e flexas.
Os Mundurukú, também chamados campineiros , Moturicus, Mundurucus e Paris, são do grupo lingüístico Tupi, da área cultural Tapajós-Madeira; localizam-se no Pará, ao longo do rio Cururu, afluente do Tapajós, onde em 1911, a Diocese Franciscana de Santarém fundou uma missão para exercer ação catequista entre estes indígenas.
Em época do Brasil colônia, os Mundurukú dominavam um vasto território, eram valentes guerreiros conhecidos como “caçadores de cabeça” pois mumificavam as cabeças degoladas de seus inimigos e tinham uma arte plumária muito desenvolvida.
O Artesanato dos Mundurukú consiste em cerâmica, tecelagem de redes, cestaria, plumária, arcos e flexas, lanças e colares.
A cerâmica destas tribos indígenas é caracterizada pela leveza e forma das peças. Algumas peças apresentam motivos desenhados no interior do vasilhame, e essas pinturas não são repetidas em outras peças. A pintura ameríndia é um artesanato executado exclusivamente por mulheres.
Há tribos cuja característica artesanal é a plumária: Os artigos são confeccionados com penas de aves de determinadas espécies como papagaio, garça, tucano e gavião. A plumagem do papagaio apesar da variedade de gêneros e espécies, é predominantemente verde. A garça particularmente é a espécie que ostenta penas brancas, é muito utilizada pela alvura de sua plumagem; são utilizadas espécies de plumagem de coloração azul-cinza e azul-negro. O tucano, de acordo com a espécie, varia a cor da plumagem no peito e na cauda – amarelo, branco e vermelho – porém a plumagem preta predomina no dorso.
A arte plumária é empregada na confecção de cocares – adornos indígenas para serem usados na cabeça – arcos, flexas, lanças, bordunas e tacapes. Este instrumental indígena é utilizado em cerimônias, em caça e pesca, e algumas vezes na luta contra o inimigo.
A cestaria ameríndia utiliza fibras de várias espécies. As cestas tem formato e características próprias aliadas a um trançado original. Algumas delas, representam desenhos de animais.
Os colares caracterizam-se pelo exotismo; leveza e originalidade.
As matérias-primas principalmente usadas são caroços de tucumã e mucajá, e sementes. O tucumã é o fruto de uma palmeira nativa, tem formato ovóide, cor amarela-avermelhada e é recoberto por um material de espécie lenhosa. O mucajá também é uma palmeira que dá frutos de forma arredondada de cor verde-amarelada. Dos ouriços de tucumã confeccionam-se colares representando animais de nossa fauna; intercalados com sementes secas de plantas silvestres.
São também utilizados espinhaços de cobra e de peixe, assim como dentes de macaco e de outros animais, para a confecção de colares.