
Estudos Amazônicos
A Floresta Amazônica está localizada na Região Norte do Brasil, e possui uma área de cerca de 5,5 milhões de km². Fazendo parte de nove países: Brasil, Venezuela, Colômbia, Peru, Bolívia, Equador, Suriname, Guiana e Guiana Francesa, é a maior floresta tropical úmida do planeta e com a maior biodiversidade. No Brasil, a Amazônia Legal se estende por nove estados brasileiros: Amazonas, Pará, Roraima, Rondônia, Acre, Amapá, Maranhão, Tocantins e parte do Mato Grosso, representando mais de 61 % do Território Nacional. O Amazonas é o maior estado da Amazônia e também do Brasil, com mais de 1,5 milhões de km². Muito maior que vários países da Europa como Portugal, Inglaterra, Holanda ou Alemanha, por exemplo. Localizada na Região Norte do Brasil e cortada pela linha do Equador, a Amazônia tem o clima Equatorial predominante, quente e úmido, com temperaturas anuais variando entre 21ºC e 42º. A temperatura média anual é de 28ºC e caracterizado por umidade elevada durante todo o ano, o que favorece a formação da cobertura vegetal de floresta ombrófila (densa), com árvores de grande porte e folhagens sempre verdes. As chuvas são muito abundantes (entre 3500 e 6000 mm/ano) e, em certos períodos do ano, provoca enchentes, inundando vastas regiões e fertilizando a terra. As precipitações contribuem para a cheia dos rios e auxiliam na transformação das paisagens amazônicas no meio tempo entre a estiagem e o período de chuvas. Não se pode confirmar exatamente desde quando a Amazônia é habitada, mas sabe-se que desde antes da chegada dos europeus, no século XVI, os índios já viviam na região. Desses mais de 500 anos de história, a formação populacional da Amazônia, assim como a brasileira, preserva ainda hoje características da grande miscigenação entre as diversas raças. Herança da colonização européia, o brasileiro, e o povo amazônico, em particular, apresentam traços do índio, do branco e do negro, como nenhum outro no mundo. Ribeirinhos, índios, seringueiros, garimpeiros, pescadores, operários, executivos. Com cerca de 20 milhões de pessoas vivendo nos nove estados da Amazônia Legal, a densidade demográfica é de cerca de 3,4 habitantes por km 2, com 62% da população vivendo nos centros urbanos. A Economia se desenvolveu com a preocupação de inserção da Amazônia ao contexto brasileiro. Ao longo da História, diversas fases marcaram o crescimento econômico da região, como o período da Borracha, na segunda metade do século XIX, quando a Amazônia presenciou um período rico e de crescimento de grandes cidades como Manaus e Belém, e durou até a década de 20. Hoje a região apresenta atividades econômicas estruturadas em um Pólo Industrial com empresas certificadas pelo nível zero de poluição, e essencial para o equilíbrio financeiro local, por meio da geração de milhares de empregos diretos e indiretos na capital e interior. O sistema de importação e exportação do Pólo Industrial de Manaus (PIM), a maior capital da Região Norte, desenvolveu os sistemas de transporte fluviais e aéreos, com base no Porto Flutuante de Manaus e no aeroporto internacional Eduardo Gomes, um dos principais terminais de carga do país. A criação da Zona Franca de Manaus representou ainda um crescimento demográfico sem precedentes na região, complementado com o grande registro de imigrantes, a atividade de garimpeiros e o êxodo rural. A Amazônia é muito bem servida pela variedade de pratos típicos e riquíssimos em sabores de influência indígena. A culinária regional destaca-se pela enorme oferta de pratos à base de peixes ou frutos existentes apenas nesta porção do planeta. Cada ingrediente quando combinado com elementos regionais ou o tempero caboclo resulta num paladar impossível de não encantar pelo exotismo do preparo. Temperos como a pimenta malagueta, pimenta de cheiro, o tucupi são essências. Os peixes podem ser cozidos, fritos ou assados. Só é preciso escolher entre o tucunaré, o tambaqui, o jaraqui ou o bacalhau da Amazônia, o delicioso pirarucu, entre tantos outros apreciados com o complemento específico: a farinha do uarini. A imensa diversidade de árvores frutíferas na Amazônia permite descobrir sabores absolutamente únicos que encantam o paladar de qualquer pessoa. Aromas inusitados, sabores únicos e formas que encantam o olhar misturam-se na diversidade amazônica e fornecem energia e vitaminas a quem as consome. O Cupuaçu tem um sabor muito sutil e ímpar, e dos seus frutos pode-se extrair a polpa para fazer sucos, doces, sorvetes e outras preciosidades. O Açaí, que ficou famoso como poderoso energético, é consumido diariamente em forma de "vinho". Já há, inclusive, registro de consumo do açaí em outros países; os frutos do açaizeiro são sovados em uma peneira e da polpa se extrai o sumo oleaginoso servido com farinha de tapioca. E a pupunha, a uva da Amazônia, com seus deliciosos frutos em cachos, protegidos por espinhos do tronco da árvore, podem ser consumidos apenas após o cozimento. O folclore é uma das manifestações da cultura popular. E a Amazônia têm um folclore rico com suas lendas, os mitos, as músicas populares, a poesia, as danças, que encantam e fazem parte do imaginário dos turistas e habitantes de toda a Região. As lendas amazônicas fazem parte da vida de cada morador nos mais distantes recantos verdes. Desde criança, é comum ouvir histórias como a do boto que se transforma no homem bonito e encanta as mulheres. A história da cobra-grande assusta, e para muitos é a explicação para a origem de alguns dos grandes rios. Algumas lendas contam que a floresta é habitada por seres mitológicos que a protegem da fúria de caçadores e madeireiros. A crença em entes como o curupira, a Iara, o Mapinguari, o Matinta Perera dão a idéia da magia amazônica e das raízes culturais do homem da região. O folclore reserva ainda a formação de grupos folclóricos com músicas próprias, roupas típicas, dançarinos, e ritmos contagiantes. As peças que compõem o artesanato amazônico são ricas em detalhes indígenas. Cerâmica, colares, pulseiras, utensílios domésticos, e uma infinidade de outras peças decorativas podem ser apreciadas e compradas. O artesanato regional está diretamente ligado a elementos da cultura local, e até mesmo a matéria-prima utilizada para a produção das peças tem origem na floresta, como sementes, fibras, madeiras, ou a argila para compor peças em cerâmicas. Tudo aproveitado pelos artesãos com criatividade, originalidade e beleza, resultando em belos produtos para a venda. Em Manaus, é fácil encontrar produtos do tipo em feiras permanentes e diárias no centro da cidade, ou nos fins de semana, como a Feira do Artesanato, da Avenida Eduardo Ribeiro. Outras preciosidades podem ser encontradas ainda em lojas de artesanato ou à exposição em museus. As cerâmicas mais antigas de que se tem registro na Amazônia datam de cerca de 7.000 a 8.000 anos A Cultura amazônica recebe importante influência dos povos indígenas. O calendário de eventos das cidades da região explora elementos como a música, as artes plásticas, o artesanato, e folclores regionais. O Boi-Bumbá de Parintins, já conquistou o prestígio internacional e todo o ano atrai milhares de visitantes para a pequena cidade do Baixo Amazonas, para assistir ao grande espetáculo que conta as lendas da Amazônia, retrabalhando os aspectos indígenas. Em Manaus, uma grande programação pode ser conferida o ano inteiro, desde o carnaval no sambódromo, em fevereiro, até o Carnaboi, em outubro, passando pelo Festival Folclórico do Amazonas, em junho. No interior, diversos municípios também realizam suas festas próprias como Manacapuru, com seu Festival de Cirandas, ou o Festival da Canção em Itacoatiara, com artistas e compositores locais. Para os admiradores de óperas e shows eruditos, durante todo o ano, o Teatro Amazonas reserva diversas montagens no belo palco do período da Borracha. O Festival Amazonas de Ópera é referência no gênero na América Latina, acontecendo nos meses de abril e maio. Há ainda diversos museus e centros culturais com exposições permanentes que contam a rica história da região. O ESTADO DO AMAZONAS O Amazonas é o maior Estado brasileiro. Ocupa uma faixa de 1.570.946,8 Km2 do território nacional, o equivalente a mais de 18% da superfície do País. Fica no centro da Região Norte, no coração da Floresta Amazônica. A linha do Equador atravessa o Estado, que é cortado por rios (os mais importantes são o Solimões, o Amazonas, o Juruá, o Purus, Negro e Japurá). O clima predominante no Estado é o equatorial úmido, com temperatura média/dia/anual de 26,7º , com variações média/dia de 23,3º a 31,4º. Como os demais Estados da Região Amazônica, possui apenas duas estações climáticas: a chuvosa (que vai de dezembro a maio) e a seca ou menos chuvosa (de junho a novembro), quando a temperatura pode chegar a 40º, sobretudo no mês de setembro. Com uma população de 2.812.557 habitantes (Censo IBGE/2000) - metade dela (1.405.835 habitantes) concentrada na capital, Manaus -, o Amazonas tem hoje uma economia baseada, principalmente, nas atividades de extrativismo, mineração, pesca e indústria. Esta última, responde sozinha por 56,9% do Produto Interno Bruto amazonense e está basicamente restrita à capital, onde está instalado o coração da Zona Franca de Manaus: um pólo industrial com quase 500 empresas. O Estado é formado por 62 municípios, a maior parte deles fica às margens dos rios que cortam a região. Esses mesmos rios funcionam como verdadeiras “estradas” para a população do interior, uma vez que o Amazonas dispõe de poucas rodovias estaduais e das três federais que passam pelo Estado- BR-319, BR-230 (Transamazônica) e BR-174 –, apenas esta última encontra-se em boas condições de tráfego. Não há ferrovias no Amazonas e além do transporte fluvial (que internamente é predominante) a outra opção é o transporte aéreo. Manaus sofreu grandes transformações nas duas últimas décadas. Obras de infra-estrutura conferiram feições modernas à cidade que ganhou viadutos, passagens de nível, grandes avenidas e passou a experimentar os efeitos negativos de um forte crescimento populacional desordenado. Grandes bairros se formaram e continuam se formando na periferia da cidade, mas a maioria deles a partir de enormes áreas de invasão, um problema que impõe constante desafio às administrações municipal e estadual. Se de um lado a capital ostenta, hoje, a condição de cidade com o 4º maior PIB do País - segundo dados do IBGE -, de outro a esmagadora maioria das cidades do interior continua estagnada do ponto de vista econômico e de seus indicadores sociais. As características geográficas do Estado – sobretudo suas dimensões territoriais – e a ausência de políticas consistentes de desenvolvimento voltadas para o interior, continuam a submeter suas populações ao verdadeiro isolamento. O Amazonas responde, sozinho, por aproximadamente 60% da arrecadação de impostos federais na chamada 2ª Região Fiscal, que engloba toda a Região Norte, exceto Tocantins. No ano passado, a arrecadação tributária estadual foi da ordem de R$ 3,2 bilhões. A cidade de Coari (a 375 quilômetros de Manaus) é uma das poucas privilegiadas em termos de atividade econômica graças à existência, no município, da Província Petrolífera de Urucu. , de onde a Petrobrás extrai petróleo alta qualidade, sendo o mais leve dentre os óleos processados nas refinarias do país. Essas características resultam em seu aproveitamento especialmente para a produção de gasolina, nafta petroquímica, óleo diesel e GLP (gás de cozinha). A produção média de petróleo em Urucu é de 56,5 mil barris por dia, enquanto a de gás natural é de 9,7 milhões de metros cúbicos por dia. Esse volume faz do Amazonas o segundo produtor terrestre de petróleo e o terceiro produtor nacional de gás natural, e do município de Coari o maior produtor terrestre. A produção de Urucu abastece os estados do Pará, Amazonas, Rondônia, Maranhão, Tocantins, Acre, Amapá e parte do Nordeste. A Petrobrás se prepara para construir um gasoduto que permitirá explorar comercialmente as reservas de gás natural de Urucu e permitirá a mudança da matriz energética do Estado. A Refinaria Isaac Sabbá, em Manaus, tem capacidade para produzir 46 mil barris/dia. A unidade tem entre seus principais produtos o GLP (gás de cozinha), nafta petroquímica, gasolina, querosene de aviação, óleo diesel, óleos combustíveis, óleo leve para turbina elétrica, óleo para geração de energia, asfalto. Manifestações Culturais:
O folclore amazonense possui forte característica indígena mas também traduz a influência marcante das culturas portuguesa e nordestina. No interior do Estado são comuns as festas religiosas que comemoram os santos padroeiros. O Festival Folclórico de Parintins, com a disputa entre os bois-bumbás Garantido e Caprichoso é a mais famosa festa popular do Estado. Acontece no mês de junho no município que fica a 375 quilômetros de Manaus, e atrai milhares de turistas de dentro e de fora do País. Há também a Festa do Guaraná, em Maués (município que já foi o maior produtor do fruto) e outras de menor porte, como a Festa do Cupuaçu, em Presidente Figueiredo, município conhecido como a terra das cachoeiras.
Riqueza Arquitetônica (pontos turísticos): Em meio às construções modernas que cada vez mais tomam conta da cidade, Manaus exibe verdadeiras jóias arquitetônicas construídas entre o fim do Século XIX e início do Século XX. O Teatro Amazonas é o símbolo maior desse patrimônio arquitetônico. Sua história tem início em 1881, quando o deputado A. J. Fernandes Júnior apresentou o projeto para a construção de um teatro em alvenaria, na cidade. A proposta foi aprovada pela Assembléia Provincial do Amazonas e começaram as discussões a respeito da construção do prédio. Manaus, que vivia o auge do Ciclo da Borracha, era uma das mais prósperas cidades do mundo, embalada pela riqueza advinda do látex da seringueira, produto altamente valorizado pelas indústrias européias e americanas. A cidade necessitava de um lugar onde pudessem se apresentar as companhias de espetáculos estrangeiras e a construção do teatro, assim, era uma exigência da época. O projeto arquitetônico escolhido foi o de autoria do Gabinete Português de Engenharia e Arquitetura de Lisboa, em 1883. No entanto, em meio às discussões a respeito do local para a edificação e os custos da obra, a pedra fundamental só foi lançada em 1894. As obras transcorreram de forma lenta e somente no governo de Eduardo Ribeiro, no apogeu do Ciclo da Borracha, as construções tomaram impulso. Foram trazidos arquitetos, construtores, pintores e escultores da Europa para a realização da obra. A decoração interna ficou ao encargo de Crispim do Amaral, com exceção do salão nobre, área mais luxuosa do prédio, entregue ao artista italiano Domenico de Angelis. A sala de espetáculos do teatro tem capacidade para 701 pessoas, distribuídas entre a platéia e os três andares de camarotes. No salão nobre, com características barrocas, destaca-se a pintura do teto, denominada “A Glorificação das Bellas Artes na Amazônia”, de 1899, de autoria de Domenico de Angelis. Destacam-se os ornamentos sobre as colunas do pavimento térreo, com máscaras em homenagem a dramaturgos e compositores clássicos famosos. Sobre o teto abobadado estão afixadas quatro telas pintadas em Paris pela Casa Carpezot - a mais tradicional da época -, onde são retratadas alegorias à música, dança, tragédia e uma homenagem ao grande compositor brasileiro Carlos Gomes. Do centro, pende um lustre dourado com cristais, importado de Veneza, que desce até ao nível das cadeiras para a realização de sua manutenção e limpeza. Destaca-se, ainda na sala de espetáculos, a pintura do pano de boca do palco, de autoria de Crispim do Amaral, que faz referência ao encontro das águas dos rios Negro e Solimões. O Teatro possui diversos ambientes, concebidos com diferentes materiais, daí ser considerado um espaço sobremaneira eclético. É, sem dúvida, o mais importante prédio da cidade, não somente pelo seu inestimável valor arquitetônico, mas principalmente pela sua importância histórica, uma prova viva da prosperidade e riqueza vividos na fase áurea da borracha. O Teatro é referência para espetáculos regionais, nacionais e internacionais. Desde 1999, sua programação abriga o Festival Amazonas de Ópera, que acontece anualmente, entre abril e maio. O prédio da Alfândega do Porto é outra construção histórica. Faz parte do complexo arquitetônico que inclui ainda a Guarda Moria e foi tombado pelo Patrimônio Histórico Nacional em 1987, junto com o Complexo Portuário. Inaugurados oficialmente em 1906, o prédio foi construído pela firma inglesa Manaos Harbour Limited, como parte do contrato de concessão do Porto de Manaus. Em estilo eclético, com elementos medievalistas e renascentistas, trata-se do primeiro prédio pré-fabricado do mundo.O edifício foi construído em blocos de tijolos aparentes, pré-montados e importados da Inglaterra, uma reprodução dos prédios londrinos do início do século. O Mercado Municipal Adolpho Lisboa, construído de frente para o Rio Negro, no período áureo da borracha, também merece destaque. Em estilo art noveau, foi oficialmente inaugurado em 1882 e é considerado uma réplica do extinto mercado Les Halles, de Paris. Em 1906, o mercado foi arrendado para a empresa inglesa Manaos Markets. O contrato foi rescindido em 1934 e o mercado voltou à administração municipal. Até hoje, o funciona como um centro de comercialização de produtos regionais. Construído para ser a residência de um rico comerciante da borracha, o alemão Waldemar Scholtz, o Palácio Rio Negro é outra atração turística da cidade. Foi inaugurado no final do século XIX e ficou conhecido na época de sua construção como Palacete Scholtz. Em 1911, o prédio foi hipotecado ao Coronel Luiz da Silva Gomes, rico seringalista da época, que o arrendou ao Estado. O local, então, além de sediar o Governo Estadual, passou a ser a residência oficial do governador. Em 1918, o Estado comprou definitivamente o imóvel, que começou a ser chamado de Palácio Rio Negro. Durante muitos anos, o prédio abrigou o poder executivo estadual, até que em 1995 a sede do governo foi transferida para outro local. Foi tombado como Patrimônio Estadual em 1980, logo após sua última restauração. Funciona atualmente no prédio o Centro Cultural Palácio Rio Negro, que promove exposições de arte, shows, peças teatrais e outras atividades culturais. |